[Valid Atom 1.0] [Valid Atom 1.0] O Mundo Mágico da Fantasia Contos Infantis

Olá, amiguinhos!

15 de junho de 2012

Platiplanto, o cavalinho que gostava de ouvir estrelas

Platiplanto era um cavalinho. Um cavalinho que gostava de ouvir estrelas.
Platiplanto morava numa montanha de nome Peloponeso, que ficava numa ilha distante, e não era um cavalinho comum. Ele era um unicórnio e tinha pai, mãe e um monte de irmãozinhos que gostavam de correr de dia e dormir à noite. Não eram como Platiplanto que dormia de dia, porque todas as noites ele subia ao mais alto rochedo para conversar com as estrelas.As estrelas vinham de longe e sabiam histórias do mundo inteiro!
Platiplanto, que nunca havia saído do Peloponeso, não conhecia nada do mundo, então, ele ouvia as estrelas e aprendia. Aprendia que a terra era redonda e que as estrelas viviam fugindo do dia para nunca deixarem de brilhar. E Platiplanto achava maravilhoso fugir do dia. O dia, para ele, servia apenas para dormir enquanto a noite não chegava, recheada de fantásticas descobertas. Aprendia que no Pólo Norte a neve era eterna. Que a neve era macia e gostosa como as nuvens de algodão e era lá que morava a Rainha do Inverno, muito branca e muito fria. Mas, Platiplanto não gostava de frio. Ele gostava era do macio da neve, por isso quis experimentá-lo. As estrelas, então, empurraram um monte de nuvenzinhas e fizeram uma cama deliciosa na relva, onde Platiplanto pulou e rolou feliz.Assim, todas as noites as estrelas contavam sobre novos lugares para o unicórnio que, chifrinho em riste, não perdia uma palavra!E as estrelas lhe contaram sobre o mar. Contaram que amavam refletir-se em suas águas, onde tinham descoberto suas irmãs, as estrelas do mar. E Platiplanto desejou o mar com suas estrelas. Correu para olhar as águas claras do riacho e ao ver suas amigas nelas refletidas, ficou feliz, imaginando que o mar não devia ser muito diferente.E as estrelas lhe contaram sobre o deserto e as areias do deserto. Disseram que havia tantos grãos de areia, quantas estrelas no céu, e que a areia também era fofa e macia. Contaram que o dono do deserto era um tal de Verão, um senhor muito, muito quente, e Platiplanto conheceu o deserto contando as estrelas.E elas lhe falaram das florestas e dos animais das florestas. Falaram-lhe de onças, macacos, elefantes, javalis, rinocerontes, zebras… Falaram-lhe das borboletas, das águias e dos pirilampos, que, à noite, brilhavam entre as ramagens, assim, toda vez que Platiplanto via uma estrela cair, imaginava-se numa grande floresta.E elas lhe falaram também sobre os campos floridos de trigais e lhe explicaram que, do trigo, se faz o pão para alimentar os homens, e então Platiplanto ficou muito curioso. Quem seriam os homens, dos quais ele nunca ouvira falar?E as estrelas lhe contaram então que os homens eram seres que conquistavam os mares e os desertos, os campos e as montanhas, as florestas e os animais. Contaram-lhe que essa raça vivia em grandes bandos, que andavam no céu em pássaros de fogo, e no mar em peixes de metal. Que tinham chifres maiores e mais afiados do que o de Platiplanto, e que usavam eles para lutar e destruir tudo que desejassem. Que eles derrubavam florestas, poluíam os rios, explodiam geleiras, envenenavam o ar, matavam os animais. Ele que tomasse muito cuidado com os homens!Naquele dia Platiplanto não conseguiu adormecer tranqüilo e feliz como sempre fazia. Embora dissesse às estrelas que jamais queria conhecer essas criaturas, teve medo que um dia elas descobrissem a sua montanha e o machucassem…Vamos, filho…feche os olhos e vamos voar até Peloponeso para acalmar o Platiplanto. Vamos contar-lhe que nem todos os homens são maus assim…

Ludmila Saharovsky

7 de junho de 2012

A Pequena vendedora de fósforo, de Hans C. Andersen

Fazia um frio terrível; caía a neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano.
Em meio ao frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta, caminhava pelas ruas.
Quando saiu de casa trazia chinelos; mas de nada adiantavam, eram chinelos tão grandes para seus pequenos pezinhos, eram os antigos chinelos de sua mãe.
A menininha os perdera quando escorregara na estrada, onde duas carruagens passaram terrivelmente depressa, sacolejando.
Um dos chinelos não mais foi encontrado, e um menino se apoderara do outro e fugira correndo.
Depois disso a menininha caminhou de pés nus - já vermelhos e roxos de frio.
Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão.
Ninguém lhe comprara nenhum naquele dia, e ela não ganhara sequer um níquel.
Tremendo de frio e fome, lá ia quase de rastos a pobre menina, verdadeira imagem da miséria!
Os flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos, que lhe caíam sobre o pescoço em lindos cachos; mas agora ela não pensava nisso.
Luzes brilhavam em todas as janelas, e enchia o ar um delicioso cheiro de ganso assado, pois era véspera de Ano-Novo.
Sim: nisso ela pensava!
Numa esquina formada por duas casas, uma das quais avançava mais que a outra, a menininha ficou sentada; levantara os pés, mas sentia um frio ainda maior.
Não ousava voltar para casa sem vender sequer um fósforo e, portanto sem levar um único tostão.
O pai naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas maiores, tapadas com palha e trapos.
Suas mãozinhas estavam duras de frio.
Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz!
Tirou um: trec! O fósforo lançou faíscas, acendeu-se.
Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha...
Que luz maravilhosa!
Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa.
Como o fogo ardia! Como era confortável!
Mas a pequenina chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado.
Riscou um segundo fósforo.
Ele ardeu, e quando a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa se estendia uma toalha branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito!
Então o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria.
Acendeu outro fósforo, e se viu sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo rastilho de fogo.
"Alguém está morrendo", pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para Deus.
Ela riscou outro fósforo na parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
- Vovó! - exclamou a criança.
- Oh! leva-me contigo!
Sei que desaparecerás quando o fósforo se apagar!
Dissipar-te-ás, como as cálidas chamas do fogo, a comida fumegante e a grande e maravilhosa árvore de Natal!
E rapidamente acendeu todo o feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto para onde não havia frio nem fome nem preocupações - subindo para Deus.
Mas na esquina das duas casas, encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente, que a morte enregelara na derradeira noite do ano velho.
O sol do novo ano se levantou sobre um pequeno cadáver.
A criança lá ficou, paralisada, um feixe inteiro de fósforos queimados. - Queria aquecer-se - diziam os passantes.


27 de maio de 2012

A Festa no Céu


Uma grande festa no céu foi anunciada aos animais. Para desencanto de muitos, só foram convidadas as aves, por possuírem asas e lá poder chegar. Ao saber da festa, o Jabuti não se conformava em não ter sido convidado. Mesmo sabendo da impossibilidade de ir ao céu, espalhou por toda a mata que também tinha sido convidado, fazendo com que os outros animais dele rissem e zombassem.
Jaboti passava os dias à beira da lagoa, a remoer a zombaria, mantendo sempre a certeza de que iria à festa no céu, fez peditório de ajuda a São Francisco, protetor dos animais, fez promessa à Santa Rita, a das causas perdidas, até aos anjinhos pediu que lhe emprestassem as asas. Nada acontecia. Até que um dia, o Urubu e o Corvo foram lavar os pés na lagoa. Jaboti sabia que eles eram da orquestra que tocava nas festas dos bichos, e, como voavam, com certeza iria tocar na festa do céu.
-Hoje é o dia da festa no céu. – Falou o Urubu ao Jaboti, trazendo a viola nas costas. – Viemos lavar os meus pés e seguir para lá. Soubemos que foste convidado. Mas, não poderei comparecer, se algum amigo com asas não me der carona... Ninguém quis me ajudar...
-É verdade? Indagou o Urubu, já compadecido do pobre Jaboti.
-É a mais pura e triste verdade, respondeu o espertinho, já chorando para comover o violeiro.
Não deu noutra: o sentimental músico compadeceu-se daquele animalzinho sem asas, tão desejoso de ir à festa e resolveu ajudá-lo, mandando que se escondesse dentro da viola para viajar com segurança. Maia tarde, estarás ouvindo-me tocar e poderás dançar a noite toda, até que nasça o sol. Jaboti obedeceu, entrou na viola, lá permanecendo silencioso. Ao terminar a sua higiene, o Urubu pegou a viola e, na companhia do corvo, tocador de trombone, voaram para o céu, distanciando-se cada vez mais da terra, até que chegou à tão esperada festa.
Foi em um momento de glória para o Jabuti, quando saiu da viola, surpreendendo a todas as aves com a sua presença. O Urubu, o Corvo e os demais músicos da orquestra tocaram durante toda a noite, animando a festa dos bichos. O Jabuti dançou, cantou e comeu todas as delícias da festa. Era a primeira vez que um bicho que não tinha asas participava de uma festa no céu Momentos antes de a festa terminar, já o sol nascia, e o Urubu despediu-se de todos e, pensando que o Jabuti já havia se metido dentro da viola, como haviam combinada, partiu de volta para a terra. A orquestra já arrumava os instrumentos para a volta, quando o Jabuti que perdera o transporte na viola do Urubu, ficou aflitíssimo. Que fazer, para retornar à terra? Foi quando viu, num canto da sala o trombone do Corvo. Ali estava a sua salvação! Não teve dúvidas: meteu-se pelo enorme bocal do instrumento e acomodou-se no fundo, sentindo-se seguro. A meio da viagem de volta, caiu uma grande tempestade, parecia um segundo dilúvio. Quando passou o aguaceiro, o Corvo sentiu o trobone muito pesado pela água que entrou no instrumento. A ave sacudiu o trombone para esvaziá-lo e, sem saber que o Jabuti estava escondido ali, viu, muito assustado, cair de dentro dele o coitadinho Jabuti, gritando por socorro, enquanto despencava pelos ares...
O pobre Jabuti desesperado viu passar diante dos seus olhos a imensidão do vácuo, caindo de costas sobre as pedras. A pancada foi tão forte que seu casco ficou todo quebrado em pedacinhos. Vendo aquela desgraça, Santa Rita compadeceu-se do animalzinho e veio socorrê-lo, colando com um ungüento milagroso todos os pedacinhos do casco do pequeno Jabuti, salvando-lhe a vida. O bichinho ficou curado, mas as marcas dos pedaços remendados cicatrizaram em forma de desenhos. Desde então, todos os Jabutis trazem desenhos nas costas das suas carapaças, como testemunho de que um dia o Jabuti festeiro foi à festa no céu.

História do folklore, Versão do meu avô Alexandre.